Ayurveda e a Culinária Indiana, verdadeira magia e bem-estar.

Há alguns anos, “críticos de gastronomia” que avaliam as tendências mundiais, afirmam que a comida indiana será a próxima cozinha de destaque!

Venho prestando atenção nas investidas – como professora de culinária internacional procuro mostrar as principais tendências aos meus alunos – mas a cozinha indiana ainda não aconteceu.

No entanto, um aumento constante do interesse e valorização desta culinária, pode ser observado, à medida que os ingredientes que a compõem, chegam as gôndolas de supermercados com mais divulgação em programas de culinária na TV.

Ao contrário de outras cozinhas asiáticas, a culinária indiana não depende do uso açúcar para dar sabor aos pratos, fato que considero muito vantajoso.
Tome como exemplos arroz de sushi japonês, curry de coco tailandês, churrasco coreano, molhos vietnamitas, molhos chineses de hoisin, ameixa e ostras, a lista continua com alimentos asiáticos salgados que contêm algum tipo de açúcar. Eu sou grande fã de todas essas cozinhas e aprecio a maneira como a doçura delas amplifica o calor das pimentas evidenciando os gostos salgado e azedo. Com isso, a comida indiana, torna-se ainda mais desafiadora para o paladar ocidental.

Embora possa não ser um “amor à primeira vista”, a comida indiana é única no mundo quando se trata do uso e mistura de especiarias: Os indianos sabem como persuadir os sabores e como aproveitar as propriedades curativas dos ingredientes. Os curries não são apenas profundamente saborosos, eles também são saudáveis. É aqui que reside o verdadeiro gênio da culinária indiana. E é isso que finalmente está chamando atenção fora do sul da Ásia.

Por milhares de anos, os indianos compartilham pimenta preta, cúrcuma, gengibre e cardamomo com o mundo, trocando cominho, coentro e erva-doce do Mediterrâneo, canela e cravo da Indonésia e pimentões das Américas.

Desde a antiguidade, os indianos absorveram prontamente esses novos ingredientes na culinária, criando uma fórmula cada vez mais complexa para o sabor ao longo do tempo. Um “curry”, como seria genericamente nomeado pelos britânicos na década de 1700, usualmente incluiria aromas salteados, como cebola, alho e gengibre; um agente azedo como tomate, tamarindo ou manga verde seca; um espessante, geralmente coco, se for do sul da Índia tropical ou laticínios, se for do norte mais seco; e conteria facilmente uma dezena de especiarias: inteiras, trituradas e moídas.

Usando várias formas de tempero, os indianos conseguem extrair diferentes essências de um único ingrediente. O cominho é um exemplo perfeito: sementes inteiras chiadas em óleo, sementes tostadas, sementes trituradas ou sementes em pó fino fornecerão, cada um, um tipo diferente de sabor de cominho.

Por mais deliciosas que sejam, as especiarias também são “alimentos funcionais” e foram muito antes de a frase se tornar uma ferramenta de marketing na moda. Muitas especiarias ajudam na digestão, tornando o feijão mais digerível e os nutrientes mais facilmente absorvidos. Os pimentões melhoram a circulação, o cardamomo remove as toxinas, o gengibre alivia as náuseas, o coentro melhora os níveis de colesterol e a cúrcuma é um antioxidante, anti-inflamatório, antibacteriano e potencialmente reduz o risco de doença de Alzheimer, para citar apenas algumas de suas propriedades.

Para ativar os benefícios, você geralmente precisa combinar especiarias. Por exemplo, é preciso pimenta do reino para desbloquear a magia da cúrcuma.

Essas propriedades são conhecidas pelos indianos há mais de 5.000 anos, que é tão antiga quanto o Ayurveda. Desenvolvido na Índia, o Ayurveda é um dos mais antigos sistemas de medicina do mundo, baseado no equilíbrio entre mente, corpo e espírito.

Depois de identificar seu tipo constitucional ou dosha, as escolhas alimentares podem ajudá-lo a harmonizar seu sistema. O Ayurveda leva em consideração os aspectos benéficos das especiarias com o efeito que elas têm sobre cada indivíduo.

Embora a culinária indiana possa não chegar a explodir como “tendência” entre os “críticos de gastronomia e apreciadores de comida”, as recompensas de comê-la existem em muitos níveis. No coração da comida indiana, está uma bela alquimia e um universo de especiarias que excitam nosso paladar, nutrem nossas células e satisfazem nossas almas.

  • E para aquecer os dias mais frios, uma saborosa receita de sopa da culinária Ayurveda para os três doshas.
    Sopa de Inhame com espinafre (Serve 2 pessoas)
    Ingredientes

    1 colher de sobremesa de Ghee (manteiga clarificada)
    ½ alho poró cortado em fatias finas
    4 inhames médios descascados, cortados em cubos grandes
    ½ maço de espinafre (somente as folhas e talos se estiverem tenros)
    Sal a gosto
    ½ colher de chá de cúrcuma em pó
    ½ colher de chá de páprica picante (Pitta não colocar este ingrediente)
    1 pitada de pimenta do reino
    Preparo:
    Aqueça o ghee e refogue o alho poró até dourar, abaixe o fogo. Adicione as especiarias, mexendo bem para não queimar. Acrescente o inhame e o espinafre, cubra com água. Deixe cozinhar em fogo médio até que o inhame esteja macio. Desligue o fogo e tempere com o sal. Com um mixer ou liquidificador, bata até ficar cremosa. Sirva em seguida.

Receita do livro O sabor da harmonia, de Laura Pires.

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